quarta-feira, 6 de abril de 2011

Lesões no Surf

O surf, comparado com outros esportes, possui uma taxa de lesões considerada pequena. Nathanson et al. (2007) relatam que a taxa de lesões no surf é de 6,6 lesões significantes a cada 1000 horas de competição. Na pesquisa de Base et al. (2007) pode-se observar que a taxa de lesão calculada é de 0,76 lesão para cada 1000 dias de prática da modalidade. Já Allen et al. (1977) relatam que o risco de lesão no surf é de um em cada 17.500 dias de prática. Este último dado apresenta um baixo número de lesões. Provavelmente com o passar dos anos, o aumento no número de praticantes e o desenvolvimento das pranchas e das manobras podem ter contribuído para o aumento desses valores.
As lesões mais comuns no surf são as entorses e estiramentos, seguidas de lacerações, contusões, e fraturas. Quanto ao mecanismo da lesão Nathanson et al. (2007) relatam que o impacto com a prancha causa 29% das lesões, 24% são pelo contato com o fundo do oceano, 16% pelo próprio movimento do surfista, e 12% da força hidráulica das ondas. Diferentemente dos dados de Base et al. (2007) que destacam a prancha sendo responsável por 51,4% das lesões, a realização das manobras 40,7% e o fundo teve participação em 7,7% das lesões. Deve se destacar, contudo, o local da prática como um fator agravante das lesões. Os diferentes fundos, que apesar de proporcionar as melhores ondas, podem ocasionar as piores lesões. O tipo de fundo (marítimo) mais comum é o fundo de areia. Outros tipos de fundo são o de coral e de pedra, estes, menos profundos, com um maior potencial de lesão no caso de queda do surfista, ocasionando lacerações, cortes, contusões, fraturas devido ao impacto e até mortes.
Boa parte das lesões ocasionadas pela falta de habilidade, pela fadiga e pelo nível de condicionamento físico do surfista podem ser minimizadas com um programa de treinamento das capacidades físicas utilizadas no surf. Este programa de treino deverá trabalhar a capacidade aeróbia e anaeróbia, equilíbrio dinâmico e recuperado, força dinâmica, propriocepção, flexibilidade, potência, resistência muscular, agilidade, tempo de reação e coordenação. Todas essas capacidades físicas sendo desenvolvidas em sinergia poderão fazer com que o surfista melhore seu desempenho durante a prática evitando que quedas ou manobras mal executadas possam lhe causar alguma lesão.
Além das lesões osteo-musculares causadas pelo surf, outros fatores inerentes à prática também podem contribuir para os casos de lesões, as quais através de precauções básicas podem ser evitadas. Estas lesões se caracterizam como: lesões nos dentes, nos ouvidos, olhos, queimaduras do sol, infecções em águas poluídas, ataques de animais marinhos além do perigo de hipotermia no surf em águas frias (STEINMAN, 2009).

Referências:
ALLEN, Robert; EISEMAN, Bem; STRAEHLEY, Clifford J.; ORLOFF, Bruce G. Surfing Injuries at Waikiki. The Journal of American Medical Association, v. 237, n. 7, Feb.1977.
BASE, Luis Henrique; ALVES, Marco Antônio Ferreira, MARTINS, Erick Oliveira, COSTA, Roberto Fernandes. Lesões em Surfistas Profissionais. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 13, n. 4, Jul./Ago. 2007.

NATHANSON, Andrew; BIRD, Shark; DAO, Leland; TAM-SING, Kelly. Competitive Surf Injuries. American Journal of Sports Medicine. V. 35. P 113. 2007.
STEINMAN, Joel.  Surfing and Health. Maidenhead: Meyer & Meyer Sport Ltd., 536 p. 2009.

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